A Jornada de Agroecologia é uma articulação de várias entidades ligadas aos trabalhadores do campo. Não é apenas um evento anual, mas um conjunto enorme de ações localizadas e dispersas, mas que se orientam numa mesma perspectiva.
A Jornada de Agroecologia tem se firmado, através de suas edições, desde 2002, como uma forma de construir uma ação dinâmica , permanente e aglutinadora de articulação da proposta de Agricultura Familiar Ecológica baseada em uma “Terra Livre de transgênicos e Sem agrotóxicos”.
Os participantes do grande evento e dos eventos nas regiões são na maioria agricultores familiares e sem-terra, de todas as regiões do estado. Mas há participação significativa de estudantes, professores, técnicos e engenheiros agrônomos. No evento maior, realizado anualmente, sempre tem participações de caravanas de outros estados e países.
Os três primeiros eventos (2002, 2003 e 2004) aconteceram no município de Ponta Grossa – PR, e os outros três (2005, 2006 e 2007) na cidade de Cascavel. Como a Jornada não é só o evento anual, mas sim um processo de atividades, acontece eventos durante o ano todo em diversos locais. Eventos que são promovidos pelas regiões e entidades ligadas ao processo da Jornada.
Todo o processo da Jornada de Agroecologia tem tido grande repercussão no campo. Multiplicam-se no estado as experiências de campos de sementes em assentamentos, de produção agroecológica, de criação de centros de estudo em agroecologia, destacando-se a criação da Escola Latino-americana de Agroecologia, no município da Lapa/PR.
A Agroecologia é uma realidade que se confirma e se expande a cada ano no Paraná, no Brasil e no Mundo. São milhares de homens e mulheres que vivem e trabalham no campo reconstruindo as bases ecológicas da agricultura, revitalizando formas organizativas tradicionais de cooperação e seguindo em sua marcha histórica de luta pela terra, de avanço e qualificação na cooperação no trabalho e na gestão da terra e demais recursos naturais, e na conquista da sua emancipação.
Derrotar o latifúndio, não se intimidar frente à violência dos fazendeiros e seus pistoleiros, não se curvar às empresas transnacionais do agronegócio com suas tecnologias da morte – os agrotóxicos e os transgênicos e a nanotecnologia, colocam todo homem e toda mulher praticante da agroecologia na linha de frente em defesa da Vida.
A Jornada de Agroecologia, como expressão desse longo tempo de luta e trabalho das famílias camponesas, revela ao grande público do Paraná e do Brasil, sua escolha corajosa e comprometida que compõe sua alma e sua vida e seu vínculo com as futuras gerações.
É dessa determinação que emerge a força consciente, a militância nas organizações, o trabalho cuidadoso com a Terra, a Água, as Florestas, as Sementes, os Animais, num modo de ser e trabalhar que assegura o sustento da vida e garanta a soberania alimentar com a oferta de alimentos saudáveis.
A articulação dos movimentos camponeses e das organizações de assessoria na Jornada de Agroecologia criou uma situação de lutas e mobilizações que fazem do Paraná a principal trincheira de resistência aos transgênicos das transnacionais.
Frente a esta realidade, os desafios principais para a Jornada de Agroecologia para o próximo período são:
1 – ampliar a articulação de organizações do campo e da cidade no Paraná e no Brasil, para a formulação de um projeto popular para o campo fundado na agroecologia;
2 – lutar de forma permanente para a conquista da implementação deste projeto;
3 – lutar de forma permanente contra o latifúndio, a violência e a impunidade no campo, o trabalho escravo; e combater o agronegócio dos fazendeiros e das transnacionais;
4 – combater o agronegócio dos fazendeiros e das transnacionais, e neste momento em particular, apoiar a manutenção da ocupação do centro de pesquisa e produção de transgênicos da Syngenta e sua condenação pelos crimes ambientais e sua desapropriação com fins de criação de um centro de formação em agroecologia para camponeses e camponesas.